Queira o Sr. Perito comentar como o RFID tem evoluído e ajudado o judiciário

Atualmente existem diversos tipos de dispositivos de identificação disponíveis e tivemos muita evolução nessa área ao longo do tempo. Basta notar como os leitores de código de barra ou cartões por proximidade (Near Field Communication – (NFC) estão presentes no nosso dia-a-dia. Em livrarias e supermercados, passando pelo rastreamento de veículos, nos bilhetes integrados do transporte público, em corridas urbanas onde são inseridos nos tênis dos participantes e nos leitores de crachás nas empresas, nos deparamos com esses dispositivos constantemente. Uma forma já não tão recente, mas que tem ganhado mais espaço na mídia ultimamente é a “Radio Frequency Identification” (RFID). Essa tecnologia que viabiliza a comunicação de dados através de etiquetas com chips ou transponders que transmitem a informação ainda levanta muitas questões sobre custos e eficiência, principalmente no setor varejista e logístico. Apesar de toda a expectativa do mercado, algumas décadas após seu lançamento, o que se vê são poucas iniciativas práticas e ainda muitas perguntas sobre o tema.

Funcionamento do RFID – Fonte: http://www.epc-rfid.info/rfid

Um caso interessante de utilização aconteceu no Texas – USA. Um candidato chamado Rico Reyes identificou uma boa aplicação para a tecnologia NFC. Reyes era candidato pelo partido democrata e estava concorrendo a uma vaga legislativa. Ele enviou 5.000 “santinhos”, cada um com uma tag NFC, na esperança de que os destinatários se envolvessem com a sua campanha por meio de leitores NFC de telefones celulares e utilizando as redes sociais. As etiquetas também permitiam que os usuários acessassem informações sobre o candidato, enviando uma mensagem de texto ou usando um QR Code, tudo isso sem a necessidade de ter um aplicativo.[1] A cada dois anos temos eleições no Brasil; será que a ideia terá aplicação por aqui?

No Brasil, a maior parte dos projetos envolvendo essa tecnologia está presente no setor logístico e de distribuição. Devido aos seus altos custos e dificuldade de implantação, ainda temos poucos projetos como os de uma famosa rede varejista que tem diversos pilotos e centros de distribuição que já operam principalmente em portos e galpões logísticos.

Um bom exemplo da aplicação no setor jurídico vem do Paraná[2]. A novidade adotada recentemente foi à implantação dessa tecnologia em alguns cartórios e centros públicos do Estado. A ideia do sistema basicamente consiste em identificar processos de forma mais ágil e com maior qualidade diminuindo o tempo que os atendentes gastam em busca de processos nas famosas “pilhas” de papéis. Um avanço significativo se compararmos com o modelo atual.

O sistema funciona com uma etiqueta com um chip afixada em cada processo. Ondas de rádio são utilizadas como forma de comunicação. Uma antena recebe e distribui os sinais emitidos por esses chips e os decodificadores cruzam as informações e transmitem os dados das etiquetas para o sistema. Para se localizar um processo, basta digitar o número de referência e o sistema irá identificar o processo correspondente.

Além da maior agilidade e controle, essa tecnologia irá permitir maior segurança, pois se um dos processos sair do cartório ou tribunal sem autorização, um sinal sonoro irá indicar o ocorrido e um responsável poderá tomar as medidas cabíveis.

Uma grande iniciativa que merece ser ampliada e replicada. A região Sul, aliás, tem sido palco de iniciativas inovadoras. Recentemente um desembargador do RS começou a utilizar linguagem mais próxima do cotiano em suas decisões [3].

Voltando ao RFID, podemos observar que estes dispositivos de comunicação por rádio frequência, embora ainda pouco utilizados, já começam a ter novas aplicações funcionais. Ainda há muitos desafios com essa tecnologia, mas já temos muitos avanços como mostrado nos exemplos. Pontos negativos como a dificuldade de instalação, preço elevado e falta de mão de obra qualificada ainda são entraves para a maior adoção, mas o exemplo do Paraná nos mostra que estamos no caminho certo. Até a próxima!


[1] Mais em: http://www.rfidjournal.com/articles/view?11091

[2] Mais em: http://rfidblog.com.br/2010/09/utilizacao-de-sistema-rfid-agiliza-atendimento-judicial-no-parana/

[3] Mais em: http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2015/06/magistrado-do-rs-troca-juridiques-por-linguagem-simples-em-sentenca.html

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