Queira o Sr. Perito comentar sobre as fraudes no Brasil e como a tecnologia tem ajudado a combatê-las – Parte 1

FraudesNotícias sobre fraudes são cada vez mais frequentes no Brasil e no mundo. Por aqui, essa tendência é agravada pela natureza criativa do brasileiro que, embora ajude na solução inovadora de problemas – pensar “fora-da-caixa” – tem contribuído para a criação de novas e mais complexas formas de fraude.

O chamado “jeitinho brasileiro” está cada dia mais presente nas empresas traduzido sobre a forma de desvios financeiros, desvios e/ou divulgação de informação confidencial, apropriações indevidas e outras formas de se tirar vantagem.

Antes de comentar sobre as fraudes em si é importante entender: – O que é uma fraude? Segundo o dicionário Michaelis, temos a seguinte definição para o termo fraude:

sf (lat fraude): Ato ou efeito de fraudar, de modificar ou alterar um produto ou esconder a qualidade viciada deste, com objetivo de lucro ilícito. 2 Burla, dolo. 3 Engano, logração. 4 Contrabando.

Nesse mesmo contexto, a norma NBC TA 240 do Conselho Federal de Contabilidade[1] impõe que “o fator distintivo entre fraude e erro está no fato de ser intencional ou não intencional a ação subjacente que resulta em distorção nas demonstrações contábeis”.

Assim, concluímos que uma fraude tem por objetivo obter intencionalmente um bem econômico para benefício próprio ou de terceiros. Essa obtenção geralmente acontece através da adulteração irregular de registros, ocultamento de lançamentos financeiros, entre outros.

Existem os mais diversos tipos de fraudes, contudo, todos eles são fundamentalmente baseados, motivados e/ou facilitados por três propriedades. Essa tríplice é conhecida como tripé da fraude:

  • Oportunidade – O fraudador observa a oportunidade para cometer e ocultar a fraude. Normalmente é realizada por funcionários que possuem níveis elevados de permissões e acessos;
  • Auto Convencimento – O fraudador justifica ou racionaliza suas ações como algo sendo aceitáveis, procurando justifica-las para si próprio. É o caso típico do: “A empresa ganha tanto, que não irá fazer falta” ou “Eu tenho direito a esse dinheiro…”;
  • Necessidade / Sentimento de impunidade – A pressão é normalmente causada por uma necessidade imediata, em geral financeira. É o caso típico do “Realmente estou precisando, e ninguém nunca descobriu nada aqui na empresa, então, não tem problema”.

Após essa parte conceitual, gostaria, nesse post dividido em 3 partes, de mencionar sobre 2 pesquisas interessantes sobre o assunto. Uma delas é a da revista The Economist (“EIU survey”) em parceria com a empresa Kroll, e a outra é a da ACFE[2]. Uma das principais conclusões de ambas as pesquisas é que atualmente, a maior parte das fraudes é realizada por funcionários da própria empresa fraudada. É claro que, além disso, existem os casos de ataques hackers ou desvios por entidades organizadas, mas o grande “perigo”, na maioria das vezes, está “dentro de casa”. Segundo dados da The Economist (EIU survey), as principais formas de fraudes reportadas em 2013 são:

gráfico 2013/2013 de fraude

Fonte: Global Fraud Report 2013-2014 – Kroll/The Economist

Na análise brasileira feita em conjunto com a empresa Kroll[3], a pesquisa concluiu que: “O problema de fraude no Brasil cresceu mais rapidamente do que no resto do mundo nos últimos 12 meses”. 74% dos entrevistados no país relatam que sua empresa foi afetada por pelo menos uma fraude no ano passado (um grande crescimento se comparado com os 54% em 2012) e as empresas em média perderam 1,7% das receitas para esse tipo de crime (frente aos 0,5% no ano passado).

O crime mais comum no nosso país foi o roubo de estoque ou de ativos (37%). Na sequência temos os conflitos de interesse (26%) e as fraudes envolvendo equipe de compras e fornecedores (23%), ambos com índices acima da média global.

As fraudes têm grande impacto sobre o caixa das empresas: as perdas corresponderam a 1,7% da receita. Em 2012 esse índice era de 0,5%. Os motivos? A alta rotatividade de funcionários e a falta de investimentos em controles e boas práticas de gestão.

O grande problema é que muitas fraudes não são descobertas. Enquanto escrevo, é provável que diversas fraudes estejam acontecendo sem que ninguém as tenha percebido a tempo de evitar seus impactos e consequências.

Diferentes formas de pagamentos e confusas normas de transações bancárias têm levado as empresas a se depararem com diferentes tipos de fraudes. Adicionalmente, a grande pressão por lucros e metas inatingíveis têm levado as empresas a operarem em novos ambientes onde os riscos são bem menos conhecidos.

Ainda nesse sentido, tecnologias modernas de encriptação, técnicas anti-forenses, esteganografia, a popularização dos proxies e novos recursos de armazenamento (HD’s SSD e Cloud Computing) e sanitização de dados (WIPE) tornaram muito mais complexas a identificação e a análise de fraudes.

Nos próximos posts iremos falar da ACFE, os detalhes da sua pesquisa, principais características, e novidades na área de tecnologia para o combate as fraudes. Até lá!!!


[1] NBC TA 240 – Responsabilidade do auditor relacionada com fraude em auditoria de demonstrações contábeis. – http://www.cfc.org.br/uparq/NBCTA240.pdf
[2] Association of Certified Fraud Examiners – http://www.acfe.com/
[3] http://migre.me/gxlRv

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